Recebi através de um blog, uma análise do comportamento da população em relação ao transporte publico.O mesmo blog, também mostrava fotos das novidades da feira de transporte de 2011, cheio de novidades de encher os olhos se qualquer usuário ou busólogo. Fiquei me perguntando se algum dia, nós moradores de Campinas as teremos por aqui.
Por esse motivo resolvi escrever minha opnião sobre o assunto que da titulo ao texto.
Acredito que o funcionamento correto do sistema, depende não só dos empresários ou da prefeitura, mas sim de todos inclusive da população. Para começar, os nossos empresários investem muito mal na frota. Cerca de 60% dos ônibus que circulam no Brasil, são de um modelo inspirado em chassis de caminhão ( uma montadora que nunca havia fabricado veículos deste modelo, colocou essa afirmação no lançamento do seu primeiro OF no país), com motor dianteiro, suspensão elevada, barulhento e totalmente desconfortável, os chamados OF e pejorativamente de “cabritos”. Um tipo de veículo que em países de primeiro mundo e mesmo em alguns de nossos vizinhos não são mais utilizados. As desculpas são sempre as mesmas, preço, as ruas esburacadas, manutenção mais barata e etc... mas a verdade é que o pensamento dos empresários parou na década de 70 e parece sofrer resistência em evoluir mesmo nas novas gerações que só pensam em custos e lucros. Deveriam também levar em conta a qualidade oferecida a seus colaboradores , motoristas, cobradores, mecânicos, principalmente os primeiros citados, pois não é fácil trabalhar no mínimo 8 horas com um motor barulhento e quente próximo a você e as inúmeras trocas de marchas no trânsito do dia a dia e ter a responsabilidade em cuidar de várias vidas transportadas, atenção nas ruas e agüentarem a má educação de outros motoristas e passageiros. Não é a toa que há um grande números de afastamentos por depressão, estresse e pedidos de demissão. Por outro lado há uma certa razão na chiadeira do empresariado em relação as prefeituras. As mesmas deveriam cumprir a sua função e investir na manutenção das vias, fiscalizar as empresas e exigir a qualidade na frota, através de veículos compatíveis ( Padrons ,Articulados, Biarticulados, com piso baixo, acessiveis) em linhas troncais, confortáveis e limpos. O investimento em corredores exclusivos para ônibus, terminais de integração, estações de transferência, cobrança desembarcada, contribui para a agilidade e pontualidade do sistema e ajuda principalmente a corrigir uma distorção, que é a circulação de veículos articulados em bairros e modelos convencionais em linhas troncos de terminais. Os primeiros foram planejados para atender corredores específicos e não para circularem em apertadas ruas, para se ter uma noção, a roda que fica no meio da articulação, possui um custo grande de manutenção por conta do vira-vira e os segundos não são dimensionados para atenderem linhas com um grande número de passageiros, pois possuem baixa capacidade e motores fracos para esse tipo de serviço. Há também a necessidades de revisão de linhas e itinerários, criados em épocas diferentes das atuais e por isso em sua maioria defasados.
Por ultimo, mas não menos importante, a polução parece conformada com o serviço prestado.Dia desses conversando com um fiscal, fiquei surpreso quando uma passageira em um ônibus abarrotado, afirmou que tudo está correto e quem não estivesse satisfeito que fosse a pé ou de jegue. Isso não está certo. Temos o dever de exigir um serviço de qualidade, um tratamento digno, afinal pagamos caro por um serviço de qualidade ruim. Porém antes de tudo isso, nós como usuários precisamos mudar nosso modo de pensar em várias frentes. O primeiro é o preconceituoso pensamento que há em todas as classes sociais, de que o transporte publico, especialmente o ônibus, é coisa de pobre. Vemos até em anúncios publicitários o favorecimento do carro, da moto e a execração do ônibus.
A população prefere andar em carroças, pagar altíssimas prestações e enfrentar longos congestionamentos a utilizar o serviço publico de transporte. As associações de bairro deveriam junto com os empresários e prefeitura participarem da escolha das linhas e itinerários, afinal são elas que representam os moradores dos bairros, porém devem ter o bom senso e não advogarem em causa própria, como tem ocorrido ultimamente. Preocupadas apenas com seus umbigos e interesses únicos , sem o que chamamos de visão sistêmica e auxiliada muitas vezes por vereadores , exigem da prefeitura linhas que não utilizam, ônibus que circulam praticamente o dia todo vazios, criando gastos para o sistema, apenas para satisfazerem seus egos e esquecem que todos pagam por isso. O ser humano notadamente não gosta de mudanças, principalmente quando atinge a sua zona de conforto e no caso dos usuários campineiros, a maioria rejeita a baldeação em terminais, acham melhor ficar um bom tempo esperando nos pontos mesmo que a espera seja longa. Essa mentalidade precisa mudar, em Curitiba esse tipo de sistema funciona e o transporte como o próprio nome diz, é coletivo. Há tempos soube através de uma presidente de associação de bairro, que fizeram um pedido para a prefeitura que se construa um terminal na região dos Dics e até agora não obtiveram respostas.
Finalizo afirmando que há uma necessidade grande de mudança no pensamento de todos que se beneficiam, gerenciam ou prestam o serviço de transporte coletivo, pois apenas desta forma teremos um serviço decente que realmente merecemos, a um preço justo em que todos,empresários, prefeitura, usuários, transito, meio ambiente, enfim a cidade sai ganhando.
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