domingo, 31 de julho de 2011

O pai de São João da Boa Vista e meu pai.

No em breve teremos o dia dos pais, talvez para alguns uma grande festa, para outros uma grande tristeza e no meu caso nenhuma das duas coisas.
Embora eu tenha meu pai vivo, ele não significou muita coisa na minha vida, aliás significou muito no aspecto negativo.
Sei que não sou o único nesta terra a ter problemas, mas gostaria de poder falar o que sinto e o que passei.
Meu pai sempre foi alcoolatra e aos dois anos, me levou para passear  para variar acabamos indo em um bar. Não me lembro disto, mas pelo que minha conta, ele disse aos amigos de copo, depois de vários e já bêbado, que eu não era filho dele.Pura imaginação e ignorância, pois temos traços em comum.
Ele nunca foi uma pessoa carinhosa, nunca permitiu a aproximação dos filhos, manifestações de carinho, beijos abraços, sempre foi distante. Traiçoeiro e covarde, lembro que também pequeno pegou pelas costas para agredir meus dois tios, irmãos de minha mãe e sem motivo algum, ambos estavam dormindo.
A vida todo meus irmão, eu e minha mãe ouvimos da boca dele que não sabiamos de nada, que éramos inuteis e que minha irmã, a única, iria para em uma zona. Isso não é coisa de um pai dizer para um filho.
Minha mãe, professora,sempre ralou muito para nos criar e ele nada.Farei 41 anos em breve e desse tempo todo de vida, ele trabalhou apenas 8 anos.
Não entendo, ele é uma pessoa inteligente, fez curso técnico, lia muito e tinha conhecimento,porém isso não impediu a completa ignorância da vida. Se achava o máximo. Pelo que sei pouco conheceu o pai dele, pois meu avô morreu de câncer quando ele tinha 11 anos, disseram minhas tias que dava para ouvir os gritos dele (meu avô) da rua. Meu pai foi criado pela minha avó e minhas tias, ele é o único homem e por isso foi mimado o que o deixou sem responsabilidade. Serviu no Mato Grosso, mas em sua cabeça chegou a ser Tenente Coronel, só que na verdade não passou de um reles soldado raso.
Soube pela minha mãe, que minha avó sempre o prejudicou, quando ele teve oportunidades de ir embora de Marília, para tentar a vida em outro lugar. Jogou basquete, volei e futebol e tinha potêncial para muito, porém la estava minha avó para atrapalhar, que chegou ao ponto de ligar para pessoas importantes que o impedisse de partir. Qual o motivo?..não sei?
Quando minhas tias casaram, ele as ajudou e mesmo já casado com minha mãe, gravida de mim, ficou em Marilia e ela aqui em Campinas. Depois de servidas, minhas tias o mandaram de volta pra cá.
Depois disso, nossa vida foi só de pedaços ruins e poucos bons.Se não fosse minha avó, moraríamos na rua,pois ele nunca se preocupou realmente com  nós, apenas com ele.
Lembro que em épocas dificeis, com falta de comida, ele ficava sentado nos fundos de casa esperando que minha mãe fizesse algo, pois o que interessava ele era apenas a bebida. Chegou a tirar de dentro de casa mantimentos,. ferramentas para trocar por bebida e nós a sua familia, em dificuldades,não prestava. Na rua quando alguém o cumprimentava com um bom dia ele dizia..mal dia.
Bateu em nós, tentou agredir minha mãe..se achava o machão invencivel.
Porém agora, a vida deu o revés.Hoje aos 74 anos, ele esta pele e osso, sofre de demência etilica, se suja todo, tem de ser lavado, pois não toma banho, não tem noção de tempo e só vive do passado.
Quem cuida dele?
Nós,a familia que ele sempre desprezou, pois os amigos?..sumiram, mas ainda sim mantém a boca suja e agressiva.
Honestamente não consigo sentir amor de filho por ele, pois ele conseguiu jogar tudo no lixo.O que sinto é uma tristeza e pena. Tristeza, por pensar que tudo poderia ter sido diferente, ele poderia ser um grande pai e pena, pelo que se tornou. Do cara alto, forte e imponente, que impunha respeito, por medo e não por outra coisa, se tornou um ser cadavérico, frágil e que não tem capacidade para mais nada. Não sei quanto tempo ele vai durar e o que faço quando cuido dele, faço por mim. È uma forma de me sentir melhor e saber com certeza que não sou igual a ele.
O que tem a ver tudo isso com o pai de São João?
Tudo...espero e torço que esse pai que foi agredido de uma maneira covarde, jamais deixe de continuar beijando, abraçando e demonstrando carinho a seu filho, pois tenho certeza que na sua velhice, seu filho terá um imenso prazer em cuidar deste cara maravilhoso e com certeza será com amor e não apenas por obrigação.

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